Esse tal de corpo – Como ele funciona?

Primeira coisa que quero contar pra vocês é que: sim, parei com a pílula. Foi engraçado porque eu não tava com muita certeza, mas ao ler os comentários de vocês e querer muito conhecer meu corpo de verdade, tive certeza.

É pra sempre? Não sei. Vou gostar? Não sei também. Mas vou tentar e ver como as coisas fluem. Mas olha, a todas as meninas que ficaram com o mesmo pensamento, só indico que conversem com o ginecologista de vocês antes de tomar essa decisão E garantam um segundo método contraceptivo (camisinha, diu, diafragrama, mirena, etc), porque né, planejamento familiar é daora e eu gosto 😉

Esse tal de corpo – Como ele funciona?

O segundo passo é comprar um coletor (uuuuuuii, nojinho, como diria a a amiga Jout Jout haha!), porque também não gosto dessas químicas do absorvente, acho chato, acho desconfortável, e acho muito não-sustentável -mas nada contra você que usa e vai continuar usando, gente, isso é uma democracia graças à Deus e todos temos direitos às nossas escolhas. Assim que eu começar a fazer uso disso, vamos conversar mais!

Outra coisa: vocês me perguntaram do DIU de cobre, que é o que eu uso. Me mandem suas perguntas, porque quero fazer um post/vídeo explicando mais, e quero esclarecer as dúvidas com meu médico também.

É engraçado a consciência corporal que a gente vai tendo com o tempo… Tipo, quando eu era adolescente, eu realmente estava ligando o foda-se pro meu corpo. Eu nunca me perguntava o que tudo aquilo que eu consumia (remédios, mooontes de açúcar, fastfood, gordura) ia fazer pelo meu corpo. Tinha uma empáfia do tipo “eu não me importo, porque quando eu for velha ‘minha vida já vai ter acabado mesmo’”, eu pensava. Olha que doida.

Claro que ajudava o fato de eu ser muito magra mesmo comendo latas inteiras de leite condensado -sim- e eu não me esforçava de absolutamente nenhum jeito pra cuidar de mim. Nem aula de educação física eu fazia.

Como a gente muda completamente em dez anos.

Hoje uma das minhas principais preocupações é me cuidar pra envelhecer bem, ativa, com saúde, gatona, o mínimo de problemas de saúde possíveis e muita energia. Eu tenho um medo doido de ficar doente velhinha, e perder as coisas que mais me importam nessa vida, como minhas memórias, minha capacidade de me divertir com as pessoas e estar com elas, sentir o ventinho gelado no rosto de manhã.

Acho importante demais cuidar desse corpinho, por dentro e por fora, que vai estar comigo por muito tempo (espero que até os 100 anos!) e vai viver muitas aventuras HAHAHA ainda comigo.

Mas eu não comecei a me cuidar pensando nisso. Foi sim pensando na minha aparência. Em gostar mais de mim mesma ao olhar no espelho. A gente já teve essa conversa algumas vezes, em posts como esse aqui, sobre a minha baixa autoestima ou esse, sobre as dietas loucas que já fiz, e eu fui descobrindo algumas coisas ao longo desses anos de ódio ao meu corpo: enquanto eu odiá-lo, nada do que eu fizer vai dar certo. E enquanto eu quiser mudar por alguém, ou por um objetivo outro que não seja euzinha, nunca vai dar certo.

Quando comecei a olhar os cuidados tipo comer menos gordura, açúcar, industrializados, beber menos e comer muito mais frutas e vegetais e a atividade física como um ato de amor comigo e com meu corpo, foi aí que a chavinha foi mudando. Eu ainda tenho alguns momentos de olhar pra mim e não gostar de nada. Mas eles estão diminuindo à medida que eu e ele, em outros momentos do dia, vamos criando uma relação de respeito e carinho. Eu cuido dele, porque ele é importante pra mim. E ele me ama de volta.

Uma das coisas mais legais nessa caminhada tem sido me olhar todos os dias no espelho, antes do banho, e abrir um sorriso. Não, eu ainda não estou completamente satisfeita, mas isso não importa, porque eu não quero só o resultado final, não mais. Eu quero toda a jornada. Por isso que aprendi que dietas doidas não servem pra nada. Porque você não tem tempo de construir esse relacionamento com seu corpo, sua imagem, e ir gostando cada dia mais de você.

Eu não sei quantas vezes olhei para o espelho e quis chorar. E quis tacar uma coisa pra ele quebrar de tão insatisfeita eu estava. E vocês não imaginam quantas vezes eu quis gostar. E há, sei lá, um mês mais ou menos, foi a primeira vez em muito tempo que olhei pra mim e gostei. E não quis sair correndo vestir uma roupa. E foi incrível. Acho que foi mais legal ainda porque eu sei que estou fazendo no meu tempo, curtindo cada minuto, olhando minha alimentação, mas sem neurose.

Já disse isso várias vezes: se gostar não tem nada a ver com ser magra. Ter o corpo perfeito. Eu estou longe, bem longe, do que vejo nas páginas das revistas. E aos poucos, estou cada vez menos aí pra isso. Eu não quero ser elas, mais. Eu quero ser eu mesma, na melhor versão que eu puder ser.

E você também, não precisa querer ser ninguém mais no mundo. Nem querer “a coxa da fulana”, “o braço da bonitinha”, “a bunda da apresentadora de tv”, porque não somos ninguém mais além de nós mesmas. Eu só encontrei (e estou encontrando) minhas respostas quando olhei pra dentro de mim e achei conforto na Stephanie Noelle. Em quem eu sou. Do jeito que eu sou. Com meu quadril largo, meus peitos pequeninos, minha coxa grossa, minhas pernas compridas e minha bochechas grandes. Eu sou assim, essa sou eu.

Não precisa se encaixar em um padrão. Não precisa ser assim ou assado. Não precisa, mesmo, se odiar. O caminho é completamente o oposto. É se encontrar fora do padrão, se enxergar diferente e se respeitar assim. E cuidar de você, seja como for. Seja o que isso significar pra você. E ouça seu corpo. Conheça-o. Respeite-o. Não o odeie. Faça as pazes com ele, como eu estou fazendo com o meu. E isso não significa que todo mundo precise ir na academia ou comer só orgânicos e coisas que a terra dá. Cada um vai achando o que funciona melhor, o que tem a ver com sua vida, seu dia a dia. Só você pode dizer qual é sua melhor versão. Ninguém mais. Só você sabe como é olhar no espelho todos os dias. Respeite isso. Você.

O que os outros acham, o que os outros dizem como você deveria ser, isso é irrelevante. Ninguém vai amar mais você do que você mesma, por dentro e por fora. E toda essa relação, como qualquer relação, é construída. E tem altos e baixos. E tem dia que você não vai mesmo gostar do que vê. E tem dias que vai amar. E como toda relação, exige respeito e comprometimento, e diálogo e compreensão. E esse vai ser o relacionamento mais duradouro da sua vida. A gente vai passar nossa vida odiando o nosso corpo ou sendo amiga dele?