Um relacionamento de 10 anos com a pílula anticoncepcional

Acho que nunca falamos disso aqui, maaaas… somos todas muito próximas já, vocês sabem mais sobre mim do que pessoas que conviveram a vida toda ao meu lado, então por que não falarmos de pílula anticoncepcional, não é mesmo?

Pois bem, na minha última consulta ao meu ginecologista (que me acompanha desde muito novinha, nem lembro mais, porque ele é médico da minha mãe e eu quis o mesmo haha), ele sugeriu que eu parasse de tomar a pílula anticoncepcional, depois de eu perguntar sobre os riscos de trombose, porque eu fico bem preocupada com essas coisas.

E até então eu nunca tinha parado pra pensar muito nessa possibilidade. Já tinha, claro, me perguntado ‘o que raios vai acontecer com todos esses hormônios dentro de mim à longo prazo?’, mas não tinha passado disso.

Um relacionamento de 10 anos com a pílula anticoncepcional

E outro dia, lá no (o grupo de discussão do facebook), uma das meninas comentou sobre isso, que queria parar, por causa dos efeitos colaterais que ela tava sentindo. Esses efeitos, gente, variam demais demais demais, tem mulher que fica muito irritada/nervosa/sensível, tem mulher que tem muita enxaqueca, mulher que tem muuuita cólica, mulher que a pele fica bem estranha, mulher que fica muito inchada, e muuita mulher (isso eu meio que ouvi de todas) que perdem muito da libido -esse, aliás, é todo um assunto pra outro post.

E, claro, tem mulher que não deve sentir nada disso. Ou sentiria mesmo sem a pílula anticoncepcional. E também várias meninas me contaram que não foi legal parar, por exemplo. E tiveram alguns desses sintomas aí em cima sem a pílula.

Tomo pílula há bastante tempo já, quase dez anos, e estou pensando em parar, pelo menos por um tempo, para dar um descanso para o meu corpo e ver como eu funciono sem esse hormônio dentro de mim todo mês. É uma loucura pensar que passei toda a minha adolescência e o começo dos meus 20 anos sem saber como eu funciono sem ela.

Pode ser que eu funcione da mesma maneira? Pode. Mas eu não saberei até tentar, né? Acho que são coisas que valem a pena a gente se questionar, e tentar entender, ouvir, conhecer melhor nosso corpo. Sei lá, passei quase dez anos sem nunca me questionar, sem nunca pensar que pode haver sim vida sem pílula anticoncepcional.

A gente ouve tanto falar de “seu corpo é seu templo“, mas isso envolve tudo. Não só o que a gente come, se a gente faz exercício pelo menos três vezes na semana ou se tá passando protetor solar todos os dias. Envolve tudo o que a gente bota pra dentro.

Pelo amor de Deus, não vão achar que eu tô fazendo um post contra a pílula, porque absolutamente não é isso. Eu queria abrir esse diálogo com vocês, pra trocarmos experiências, falarmos nossas dúvidas, nos encontrarmos. Porque sei lá, às vezes é só isso: se questionar, tentar de outro jeito, achar o que funciona melhor pra você. Tenho amigas que tomam pílula há milênios, inclusive aquela sem pausa, e estão muito bem, obrigada.

Outra coisa importante: falei disso no Twitter (foi o que me motivou a escrever esse post, eu sou), e muitas meninas falaram que se preocupam, porque não confiam em um único método contraceptivo.

Eu sou uma delas, aliás. Mas há uns dois anos eu conversei com meu médico e coloquei o DIU, o de cobre, não o de hormônio, que não interfere na pílula. E né, a amiga camisinha está aí para proteger a todos nós, e a única que protege contra DST, ou seja = sempre.

Acho que é aquilo: nosso corpo é muito único. O que funciona pra uma, não necessariamente funciona pra outra. E temos que encontrar o que exatamente faz ele funcionar no seu melhor, e o que impede que ele atinja seu melhor.

Não só com pílula, mas tudo na vida, né mores. Às vezes tudo o que a gente precisa é se perguntar se aquilo nos faz bem (e de novo, funciona pra absolutamente tudo na vida). A fagulha da dúvida pode mudar tudo 😉

Mas a ideia é essa: vocês contarem nos comentários o que pensam sobre isso: à favor, contra, dúvidas, vamos conversar!