Do outro lado – Será que isso da certo?

Engraçado que às vezes a gente acha que nosso maior desafio é descobrir o que queremos fazer. Pois eu acho que o maior desafio mesmo começa depois que se descobre o que quer fazer.

Afinal, como é que se chega lá? Meu namorado se formou em Março, em Administração, lá na USP, e eu fui à colação de grau e fiquei pensando nos discursos. Em basicamente todo mundo dizendo que ali haviam se formado os melhores profissionais de X, Y e Z profissões do Brasil, que a eles pertencia o futuro, que ter passado na melhor universidade do Brasil era uma conquista e tanto e que o mundo estava pronto para ser conquistado por eles.

Do outro lado – Será que isso da certo?

Lembro de uma hora ter virado pro Matheus, um dos meus melhores amigos, e falar: “Acho que se fosse eu a fazer um discurso de formatura hoje, as pessoas sairiam daqui chorando, não com a sensação de que UHUL TAMO COM A VIDA GANHA que esses caras tão querendo passar”. Daí fiquei pensando em como ultimamente eu tenho estado um pouco… mais pra baixo do que o normal. Já fui mais alegre, já fui mais divertida e já fiz mais textos olhando pelo lado bom de tudo. Mas sempre fui sincera nesse espaço e nunca fingi ser algo que não sou. Se eu sumo, é ou porque minha vida me engoliu, ou porque algo está fora do lugar. E eu só volto quando descubro como consertar. Se eu estou tristinha, não vou conseguir fazer um texto animadão sobre absolutamente nada. Isso aqui sou eu, até mais eu do que consigo ser normalmente com as pessoas que conheço, mas não conheço assim tão bem.

E há pouco tempo atrás eu tive essa sensação de que UHUL O FUTURO TÁ AÍ, vamo lá pegar. Eu descobri muito mais sobre mim do que nos últimos 24 anos, entendi o que eu queria, quem eu era, o que eu não queria e o que não me fazia bem. Fiz um vídeo enorme sobre isso. Fiquei com essa sensação de quando a gente se forma e o professor diz que nada pode me deter. Me senti naquela cena final de Breakfast Club com aquela música.

Mas ninguém nos fala como é difícil descobrir como chegar lá. Como alcançar nossos sonhos. Que o mais desafiador mesmo é achar o caminho dos tijolinhos amarelos que vai nos levar a Oz. Eu sei o que eu quero. Eu sei que eu posso conseguir. Mas eu não sei como chegar lá. Parece que tem um rio na minha frente, que nem é muito grande, e eu só preciso atravessá-lo, e eu fico olhando pra ele o dia todo e tentando descobrir como construir essa ponte para atravessar esse bendito rio. E parece que ao nosso redor toda as pessoas estão construindo suas próprias pontes e atravessando o rio e encontrando prêmios mil do lado de lá. Mas essa é outra questão né. Já dizia minha mãe que eu não sou todo mundo. E que a pior coisa que eu posso fazer é tentar comparar a minha história a de outras pessoas. Meu caminho ao das outras pessoas. Não, furada. Foca no que é seu.

E eu sinto que eu tenho que preciso pra construir a ponte. Mas alguma coisa, que eu desconfio que seja medo, um medo gigantesco de falhar miseravelmente, me impede de começar a ponte. E eu fico lá, vidrando o rio e querendo desesperadamente estar do outro lado, mas com alguma coisa me segurando do outro lado. Me sufocando do outro lado. Me dizendo que eu não sou boa o suficiente. Que eu sou uma fraude. Que é melhor eu nem tentar mesmo pra não me frustrar.

E chove. E eu começo a sentir minhas meias molhando. E eu começo a ficar com frio. E as roupas começam a pesar e fica cada vez mais difícil sair do lugar. E eu grito mas ninguém pode me ajudar. Estão todos em suas próprias jornadas. Estão todos tentando, falhando, conseguindo, tentando. E a chuva fica cada vez mais grossa. E minhas roupas cada vez mais pesadas. E eu tenho que me livrar de tudo. Dos medos, dos fracassos, dos outros, de mim mesma. E me encontrar de novo. Do outro lado.

ps: não vou participar do #VEDA, aquele movimento super legal do youtube em que as pessoas sobem vídeos novos todos os dias, mas pensei em um desafio pessoal e… pensei em blogar todos os dias. Quem sabe assim chego ao outro lado da ponte. Bisous mil!