Em busca de agrados? Conheça as minhas dicas

A gente sai de um assunto sério pra falar de… lojinha no Enjoei. Essa é minha terceira vez – três é um charme, não dizem isso? – vendendo meus enjôos lá no site que eu mais tenho apego.

E dessa vez eu caprichei. Como vocês sabem, mudei de casa. E de brinde ganhei um quarto menor rs. Mas foi ótimo, estou amando e aprendi a me desapegar de mil coisas que sinceramente não estão me fazendo a menor falta.

Em busca de agrados? Conheça as minhas dicas

Não dá pra viver de coisas acumuladas, é uma energia ruim e aí a gente fica na cabeça achando que precisa ter ter ter ter ter. Não, não é fácil. Eu sofri, mas foi na marra. Ou eu deixava ir ou não tinha cama pra dormir, haha! Enfim, disso tudo saiu uma malona + uma sacola extra de coisas pro Enjoei. Têm muita coisa que eu ainda amo, mas não fazem mais sentido com quem eu sou hoje.

Queria me costurar no mundo

Quando eu era adolescente e estava no cursinho, eu fui uma Stephanie exemplar. Eu estudava tanto. Eu me dedicava tanto. Eu era focada de um jeito muito doido. Eu acordava, ia pro cursinho, não dormia em nenhuma aula – juro pra vocês –, sentava na primeira fileira. À tarde, eu só fazia estudar. Eu tinha metas e eu só descansava depois que eu cumpria. Eu aboli a internet da minha vida naquele ano, não via série, não ficava papeando no facebook. Eu me divertia também, claro.

Não estudava de fim de semana quase nunca, lia bastante, ia ao cinema, via o David, que tava na mesma… Mas nossa, eu me lembro dessa época e penso: meu deus, que mulher! Eu fui tão determinada, consegui realizar meu sonho – o de passar na USP (e na unicamp e na unesp), e apesar de ter sido um ano louco e de sacrifícios, valeu muito a pena.

Hoje o que eu mais faço é me perguntar: por onde anda essa Stephanie? Especialmente nesses momentos, como o que eu estou agora, em que dia sim, dia também, eu me acho uma fraude. Acho que não estou indo pra lugar nenhum, não estou me movendo, não estou conquistando nada. Soma-se a isso o querer MUITO.

Eu quero muitas coisas. Quero realizar muitos planos, conquistar muitos sonhos, vivenciar muitas experiências. Muito, muito, muito. Mas a conta nunca fecha. O querer ainda não está se transformando em poder, e eu me pergunto: por onde anda essa Stephanie?

Por que quando a gente cresce as coisas – e são ‘as coisas’ mesmo, porque elas são genéricas, não têm nome, surgem do nada e sem explicação – ficam no meio entre o que queremos e o que realizamos? As preocupações que nos deixam com dor de cabeça e nos tiram a vontade de fazer tudo. Uma inércia de querer fazer, mas ter medo de não funcionar.

O dia a dia, que parece que te engole e de repente você não riscou um mísero item na sua listinha de afazeres. Às vezes eu olho de trás pra frente e não entendo o que aconteceu. Por que não rolou? Porque não rolou, ora essa.

E tem dias, e esses são os piores, que eu penso grande. E eu sonho imenso. E eu fico paralisada. Eu não consigo, apenas não consigo. Eu fico com medo de tudo dar errado antes mesmo de verbalizar aquilo. Ou eu verbalizo. E aí alguém diz algo. E aí eu desmorono e desisto e falo “mas que merda” e guardo na gaveta das ideias nunca realizadas.

Por que quando a gente cresce o medo cresce também? Não era pra gente ficar mais sábio, mais forte e mais corajoso? Por que ninguém me disse que o mais difícil da vida adulta não era pagar o aluguel, mas o de sentir que sua vida não é só mais um grãozinho de areia na infinidade de areias do mundo. Por que eu tenho aqui latente no meu peito essa vontade de não ser esquecida, mesmo sabendo que é esse o destino de todos nós?

Outro dia David me disse que achava que éramos mais felizes quando conhecíamos mais do mundo. Queria ser David nessa hora. Eu só acho que fica mais difícil ser feliz sabendo tanto do mundo e querer tanto ser do mundo e fazer parte do mundo e me costurar no mundo.

Na escola, eu conhecia nada do mundo. Eu só conhecia aquilo. Minha sala de aula, aqueles colegas, aqueles professores, o caminho que eu fazia todo dia pra chegar até lá e voltar de lá. Lá, eu era especial, recebia elogios dos meus professores e da reunião de pais minha mãe voltava orgulhosa, porque a professora havia falado de mim.

Como era fácil, naquela época. Por que raios essa vontade de não ser areia numa infinidade de areias? Por que não se contentar? E a verdade é que eu queria ser especial. E eu estou no palco. E sobem as cortinas. E a plateia parece gritar “fraude, fraude, fraude”.