Eu quero e eu posso – Será que isso é verdade?

Nesse 8 de Março eu queria dizer a todas nós, de uma vez: Continuem. Continuem com a luta. Continuem sendo fortes. Continuem sem abaixar a cabeça. Continuem sem medo.

Continuem sendo vocês. Continuem com a coragem. Ainda há muito para ser feito, então continuemos.

Eu quero e eu posso – Será que isso é verdade?

Eu não seria outra coisa que não mulher. Mas não é fácil. Todos os dias estamos lutando. Estamos buscando afirmar nosso lugar no mundo. Estamos respondendo a ofensas e destruindo estereótipos. Todos os dias, um após o outro, estamos derrubando barreiras.

Se eu uso um batom vermelho, é porque eu quero e eu posso, não porque sou vadia. Se eu não uso maquiagem, é porque eu quero e posso, e não porque sou relaxada. Se eu uso saia, é porque eu quero e eu posso, não porque estou buscando sua atenção. Se eu só uso roupas largas, é porque eu quero e eu posso, não porque sou “caminhoneira”.

Se eu trabalho com moda, é porque eu quero e posso, não porque eu sou fútil ou menos inteligente. Se eu trabalho com engenharia, é porque eu quero e posso, não porque eu sou masculina. Se eu não me interesso por cozinha, ou coisas da casa, ou trabalhos manuais, é porque eu simplesmente não me interesso, isso não é meu dever e muito menos “meu lugar”.

Se eu respondo a sua ofensa ou sua cantada, é porque eu quero e eu posso, não porque eu sou ‘nervosinha’. Se eu não aceito que você diga que isso não é coisa de mulher, é porque eu posso, não porque eu sou revoltadinha. Se eu danço até o chão, é porque eu quero e eu posso, não porque não me dou valor. Se eu não danço e quero ficar sentadinha, é porque eu quero e eu posso, não porque “um bicho me mordeu”.

Se eu quero emagrecer, é porque eu me sinto mais bonita assim, não porque você prefere assim. Se eu quero ter curvas ou colocar silicone ou fazer academia ou não me importar com meu peso, é porque eu me sinto melhor assim, não porque ‘homens gostam de ter onde pegar’. Se eu não quero te beijar, se eu não quero transar com você, se eu não me interesso pelo sexo oposto, é porque eu não quero e eu tenho esse direito, não fui feita para atender aos seus desejos.

Se eu quero fazer sexo no primeiro encontro, é porque eu tô com vontade e eu posso, não porque sou fácil. Se eu não quero fazer sexo com você, ou com ninguém, até o dia em que eu mudar de ideia, é minha decisão, não sua. Se eu vou ser mãe, é porque eu quero e eu desejo, e não porque vocês acham que eu nasci pra isso. Se eu não quiser ser mãe, é porque eu tenho esse direito, não sou um ser extraterrestre ou ‘você diz isso agora…’.

Se eu quero priorizar o meu trabalho, é porque eu tenho esse posso. Se eu quero liderar, é porque eu tenho esse direito, não porque sou ‘mandona’. Se eu quero ganhar o mesmo salário de alguém que faz o mesmo trabalho que eu, mas tem um pênis, é porque eu tenho esse direito. Se eu quiser uma família, ela precisa ser igualitária, e você não vai me ouvir dizendo ‘ohhhh que maravilhoso’ por você lavar a louça ou trocar a fralda de um filho que é de nós dois.

E eu quero isso porque é meu direito. Eu quero respeito e ele é meu desde que eu nasci. E você não vai me dizer que “eu me dou ou não me dou ao respeito”. isso não é você quem vai dizer. O respeito é meu por direito. Porque eu sou igual a você, em capacidade, em inteligência, em desejos, em tudo. Eu tenho um útero e isso não me faz inferior.

Eu quero ser tratada de igual para igual e eu não vou admitir que você me diga que eu não posso. E eu não vou aceitar você dizendo como deve ser a minha luta ou o meu feminismo. Eu não vou abaixar a minha cabeça e eu não vou ter medo do que você vai me dizer. E eu não vou humilhar ou envergonhar outras mulheres por escolhas diferentes das minhas.

Porque estamos juntas nessa. A opressão vem para todas. E as conquistas também. Eu vou fazer as minhas escolhas, você gostando ou não. E eu vou afirmar o meu lugar como mulher, e eu vou lutar contra estereótipos dizendo que eu sou sensível, frágil, delicada, maternal, compreensiva. Eu posso ser tudo isso. E eu posso não ser nada disso.

Porque eu sou humana. Porque eu sou mutável. Mas sabe o que eu sou e todas nós somos? Corajosa. Porque é preciso coragem pra ser mulher e não ter medo de ser quem a gente quiser ser e escolher o que quisermos escolher.

Continuemos. E continuemos juntas. A luta segue.