Unbreakable Kimmy Schmidt, a série que estávamos esperando

Amigas e amigos, tenho uma confissão a fazer: eu não gosto muito de seriados de comédia. Se você me perguntar um que eu tenha visto inteiro, eu não vou conseguir te dizer. Não, não amei “How I Met Your Mother” ou “The Big Bang Theory” ou “Orange is the New Black”.

A verdade é que eu gosto de seriado que as histórias sejam compridas, tenha que assistir todos os episódios pra entender, sabe? Gosto de ficar acompanhando e não fico com essa sensação quando vejo a maioria dos sitcoms. E não sei se é porque meu contato começou com os exemplos “errados”, tipo “Two and a half Man”, mas sempre tive a impressão de que seriado de comédia era sempre meio preconceituoso, misógino, machista, gordofóbico, com um pézinho no racismo, sabe, fazendo piada com as minorias?

Unbreakable Kimmy Schmidt, a série que estávamos esperando

Daí além de não me sentir ‘presa’ ao seriado, eu fui começando a me incomodar com isso conforme o tempo foi passando e desisti de vez de ver esses seriados de comédia. Eu sei que “OITNB” é diferente, mas não me pegou também, gente.

Bom, mas isso é passado. Porque eu conheci “Unbreakable Kimmy Schmidt“, e agora eu posso dizer com todas as letras: assisti a um série de comédia inteirinha! E que série! <3 Os episódios são curtinhos também, de 20 minutos, mas é tão legal que você acaba vendo mais de um de uma só vez. Ah, outra coisa: a série é original Netflix, ou seja, já está todinha disponível pra você fazer uma maratona no feriado 😀

Vou então listar 5+1 motivos pelos quais eu acho que vocês deveriam dar uma chance a esse tesouro:

1. Quem criou o seriado foi a Tina Fey, essa mulher maravilhosa que mostra que comédia é sim coisa de mulher e que dá pra fazer piada inteligente 😉 Robert Morgan Carlock também é co-criador, e ele já foi roteirista de Saturday Night Live, 30 Rock e Friends.

2. A história é a seguinte: Kimmy, vivida por Ellie Kemper, foi sequestrada pelo Reverendo de um culto apocalíptico – ele acreditava que o Juízo Final ia rolar e todos iam morrer e ele tinha que salvar aquelas minas, são quatro no total – e ficou presa em um abrigo debaixo da terra por 15 ANOS! O seriado começa com ela sendo resgatada aos 29 anos, com referências todinhas dos anos 90 e 2000, e ao invés de voltar para o Durnsville, sua cidade natal em Indiana, ela decide enfrentar Nova York e fazer sua vida por lá.

3. Kimmy é maravilhosa! Ela é igualzinha a nós: cheia de vida, com vontade de fazer acontecer, mas de vez em quando rola uma bad e ela acha que vai dar tudo errado e que ela é um fracasso total. Mas não é! E ela é muito poderosa, gente, mas não de um jeito ‘estereotipado’ de poderosa. Ela usa roupas coloridas, tênis que brilha, mochila, mas empodera todas as mulheres ao redor dela a ser quem elas são e não ficarem com alguém simplesmente pra não ficar sozinha, ela inspira todas a serem tão ‘inquebráveis’ quanto ela! Kimmy não fica com cara babaca que acha que ela não pode ter os amigos que ela quiser, tem opinião, tem voz, não deixa ninguém calar sua voz,  sonha grande, tem um senso super legal de sororidade com as amigas – em um episódio, diz a uma das meninas do abrigo ‘Eu só era forte porque tinha você ao meu lado!’ <3

4. Os personagens secundários são essenciais: Titus (vivido por Tituss Burgess) é o colega de apartamento de Kimmy. Negro e gay, sonha em ser cantor na Broadway. Jacqueline Voorhees (Jane Krakowski) é uma mãe ricaça de Manhattan, que contrata Kimmy como babá. Lilian (Carol Kane) é a dona do apartamento de Titus e Kimmy, além de vizinha, e uma senhora da pá virada! Esse contexto abre caminho para uma série de piadas abordando temas como racismo, homofobia, preconceito de classes, o feminismo, machismo e gentrificação. A diferença é que se ri do opressor. Em um episódio, Titus precisa usar uma fantasia de lobisomem em seu emprego, e então ele conta como chegou a conclusão de que ser um lobisomem é muito melhor do que ser negro em Nova York. “Os taxistas param pra mim, um policial acenou e me deu oi, uma mulher me pediu pra segurar seu bebê, pude andar tranquilamente dentro de uma loja sem ninguém me seguir!”. Alô, racismo sistemático e velado!

5. A série é feminista. Kimmy é feminista. E a série introduz uma personagem feminista diferente de tudo o que a mídia e a sociedade dizem sobre nós: ela é divertida, radiante, não ‘odeia os homens’ (aff gente, vamo parar com esse argumento? brigada!), é positiva e contagia todos ao seu redor. E ela acredita que ela pode conquistar tudo e todas as mulheres também. Em um episódio ela fala “As mulheres podem ser tudo hoje!”. Em outro diz “Eu sobrevivi. Porque é isso que as mulheres fazem. E você vai também”. Tem um outro maravilhoso em que ela questiona por que ficamos substituindo uma autoridade masculina por outra em nossas vidas. Logo no comecinho, em uma entrevista sobre ter sido mantida refém, uma das mulheres conta que o Reverendo a chamou pra ver filhotes de coelho no carro. “Eu não quis ser rude… E eis o que aconteceu”. A apresentadora fala “Eu sempre me surpreendo com o que as mulheres fazem para não serem taxadas de rudes”. E não é? Se a gente fala não, quem é a doida, a sem humor, a chata, a rude? Pensem nisso 😉

5+1: A abertura! Numa paródia do Bad Intruder, um cara conta como foi que acharam as meninas no abrigo, e canta: “Inquebráveis! Elas estão vivas, caramba! É um milagre! Mas mulheres são fortes pra caralho!“. A versão extendida tá aqui, vale assistir. Eu não paro de cantarolar!

São 13 episódios, disponíveis no Netflix, e eu terminei hoje! Claro que já estou com crise de abstinência e vou aproveitar que David ainda não viu – mas disse que quer ver, depois da minha propaganda positiva pra ele haha – pra rever todos 😀

Quem aí já viu, gostou? E quem começar a ver, me conta o que achou! Aliás, se vocês tiverem mais sugestões de seriados cômicos que saiam do padrão, me falem! Como eu disse, talvez eu tenha tido contato só com coisas ‘não tão legais assim’, e vou adorar conhecer outros bons exemplos!